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Inicio / Cuenteros Locales / hibrida / TRISTE AVE DE UMA SÓ ASA

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TRISTE AVE DE UMA SÓ ASA


Nasceu em bonita manhã ensolarada e de bela ninhada. Cresceu conforme era o esperado, viu muitas coisas e ouviu muitas histórias algumas lhe encantaram outras comoveram-na, com tudo aprendia; tudo era assim ou tinha seu sentido de ser. Entre tantas histórias ouvidas uma lhe enchia o coração – àquela tão conhecida, a que falava de um certo cisne que cisne não era, embora guardasse seus encantos sempre salientavam que cisne não jamais poderia ser. Gostava muito dessa historia pois igual aquele personagem a avizinha era algo distinto dos de sua ninhada.

A avizinha era sem igual, mesmo sem cisne ser, não ligava. Sem nenhuma preocupação, ia e vinha, e assim entre as linhagens tinha passe livre. Porém o que nenhuma importância tem para alguns para outros a significância abunda. E, por lhe apontarem tanto a distinção entre os seus, àquela avizinha, que, também, jamais poderia transforma-se em cisne deixou de ser alegre, extrovertida e simpática; enchendo-se de tristeza cada vez que a malvadeza alheia lhe fazia lembrar às diferenças.

O que até então não lhe causava preocupação começou a espantá-la e foi assim sentindo o peso de reconhecer-se diferente que começou a isolar-se. Escolheu a mais alta árvore e no último galho bem lá no meio da folhagem construiu sua casa, ficou igual à casa do joão-de-barro, apenas com uma portinha. Em seu mundo particular passava todo o seu tempo, pensava e pensava: será que voltaria ela a ser como antes...?
Às vezes respondia de si para si, que não tinha mais chance, pois já havia se acostumado ao isolamento e um monstrinho chamado medo de quando em vez fazia-se presente furtando o seu sossego e, além disso, o medo não andava sozinho trazia sempre consigo uma priminha para atormentá-la. A intolerância, prima do medo, sempre que queria fazer de suas travessuras intuía alguns conhecidos da avizinha para, de vez em quando, apontar-lhe às diferenças e cada vez que isso acontecia a avizinha encolhia-se, literalmente.

Dessa maneira foi que sem se aperceber quebrou uma de suas asas, quando deu por si já não tinha mais como consertar a asa. Restando-lhe somente suas conjecturas íntimas desenvolveu uma enorme capacidade de sonhar. Um dia no meio de um dos seus devaneios – se não era cisne e se jamais poderia sê-lo, descobriu que também não era nem pato, nem galinha, nem ganso. Não era águia, tampou falcão e sem se entristecer que ave poderia vir a ser...

E, se não era nenhuma daquelas aves, então??
Seria um anjo????
Que!!!!
Quem lhe dera!!!
Impossível!!!
Estava mais para ET.
Naquele monologo repleto de admrações e interrogações sem respostas a avizinha esqueceu-se que estava no topo de uma enorme árvore e...

Tininha espantada ainda meio adormecida, olhando ao redor, parecia não lembrar onde estava...
Dona Clotilde, o mais amável possível, cumpria com seu dever, acabando de retirar a agulha pressionava o lugar, e, com voz em tom suave, despertava-a trazendon-lhe de volta à realidade. Dona Clotilde com seu jeito maternal, executava suas atividades com sensibilidade e dolcura. Carinhosamente felicitava Tininha, pois naquela tarde ela havia cumprido com bravura sua tarefa, estava assim duplamente de parabéns.

Naquele dia Tininha estava fazendo quinze anos e acabara de cumprir mais uma seção de quimioterapia...







Texto agregado el 05-05-2006, y leído por 20 visitantes. (0 votos)


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