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Inicio / Cuenteros Locales / hibrida / SARUÊ.

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Ao nascer ao contrario do esperado proteção, alimentos e carinho. Foi a pequenina criatura largada sobre o jirau no qual foi parida.

A nuvem de moscas que adornava àquele esquelético corpo desnudo, sobre a cama de varas e largado à própria sorte, em pouco tempo tomou forma de uma negra mortalha ajustando-se à anatomia esquelética do recém nascido.

Um gesto totalmente irracional afugenta a lúgubre mortalha

Saruê instintivamente ao sentir sua calda tocar em algo se volta à procura do obstáculo. O fétido ser emitiu alguns sons surdos, como se fossem reflexos de forças de uma alma que por certo se encontrava, também, em debilidade. O ar quente que sai das narinas de Saruê promove verdadeiro milagre o pequenino rejeitado recobra o fôlego e chora forte.

A cadela afasta-se latindo alto e continuadamente. Cândido de espingarda em punho corre em direção a choupana. Admirado com a cena acerca-se do jirau recolhendo o pequenino, gélido e pálido, e o envolvendo nuns trapos. Cuidadosamente agasalha-o nos braços segurando-o afetuosamente. Saruê observa cada movimento do dono, seguindo silenciosamente. Candido, atordoado deixa novamente o rejeitado sobre as varas este de imediato manifesta-se. O choro muito fraco não é percebido por Cândido que se encontra no terreiro acocorado sob o cajueiro, com um cigarro de palha na boca, pensa no que fazer com o pequenino. Saruê num instinto materno, sobrenatural, se aproxima farejando-o e o faz calar.

Cândido decide-se por levar o rejeitado para casa de um casal amigo. Levanta-se se espreguiça e tirando o cigarro da boca deita uma grossa cuspida do chão na qual apaga o que resta do cigarro e entra no casebre de paredes pau-a-pique e miserável cobertura de palhas, ao vê-lo a cadela anima-se e late com que para comunicar-lhe sobre o recém nascido Não, não podemos ficar com essa criaturinha. Vamos leva pra casa do compadre Jaó, a comadre Donana deve saber o que fazer. Anda vamos lá.

Saem os três no negrume da noite. O pequenino aqui e ali, com o andar acelerado e a compressão dos braços de Cândido, emite gemidos que são ignorados pelo condutor, todavia, são acompanhados por Saruê que caminha tensa como se Cândido estivesse levando nos braços uma de suas crias latindo como se alertando ao dono tivesse sobre o frágil carrego.

Após a longa caminhada entre pios de corujas e silvos de outras aves, e, de algumas cobras o trio chega num outro casebre. Os moradores assustam-se, porém, ao reconhecerem a voz, acodem com presteza. Cândido de imediato deposita o pequenino nos braços de Donana, que o receber sem entender do que se trata, ao abrir surpreende-se. O pequenino exala um odor horrível, levando todos a acreditar que já nada mais havia que fazer. Apesar de todo o cheiro Donana, maternalmente, aproxima-o de sua face e perceber que ainda respira, embora fracamente. Move-se apresada dirigindo-se a cozinha. Solicita então ajuda do marido para pegar algumas ervar no quintal e, também, para atiçar as brasas do fogão à lenha. Enquanto aguardam, os preparativos para o primeiro banho do pequeno moribundo, Cândido lhes conta como o havia encontrado e o estranho modo de agir de Saruê.

A água fervente é deitada sobre as ervas num grande bacia, posta sobre uma tosca mesa e iluminada pela luz fraca de uma lamparina, que para se manter acesa queimava azeite de mamona. O cheiro do combustível da lamparina e da infusão juntamente com o da lenha que queimava, substituíram, o cheiro forte que emanava do corpinho gélido, deixando o ar menos pesado. A senhora vai até um velho baú, de lá retira pequenos lençóis rotos, mas, com um agradável aroma de alfazema. Desnuda àquele cadavérico bebê, e o toma sobre a palma da mão esquerda, traçando-lhe sobre a testa, a boca e o peito sinais de cruz, vira o de bruços e procede do mesmo modo. Neste instante o bebê inspira profundamente Donana segue, silenciosamente, como se rezasse, o silêncio é seguido pelos demais que parecem seguir, também, a prece silenciosa. O pequeno ser, é submerso na água. Carinhosamente a senhora vai banhando, mesmo com toda suavidade empregada o pequenino estremece e regurgita, parece desmaiado, contudo, é reanimado pelas caricias, assim como pela substância do banho e da reza. Após a sessão dedicada à limpeza. Donana torna a cozinha e prepara nova infusão de ervas com a qual alimenta o recém nascido. Sem os odores de antes, e, envolvido em lençóis limpos e aromatizados, tem, então, a aparência apreciada por todos. Que se encantam, e se compadecem ao mesmo tempo da pobre criatura.

-Trata-se de um menino compadre.
- Eu já tinha visto comadre...
- E agora, compadre...?
- Compadre se não ficarem com ele, tenho que levá-lo até a paróquia, lá Padre Zé dá um jeito.

O bebê parece fitar suplicante a Donana, que o aconchega mais carinhosamente sobre o colo. Olha para o marido que entende o olhar piedoso da esposa.
- Depois, depois. Não, me venha nunca com queixas.

Dinorato teve toda a infância mimada pelos pais, pelo padrinho. Alegre dividia suas fantasias infantis com Saruê Sua origem não foi descoberta e tampouco sua história foi revelada. Tornou-se adulto e todo o seu comportamento se modificou. Apesar de ter recebido afeto e cuidados. Os valores que lhe foram ensinados, somente, por algum tempo exerceram influência.

Na cidade grande Dinorato fez-se bem posto na sociedade. Diretor de uma entidade particular de grande porte, era por todos reconhecido o seu valor empresarial e também sua fama de menosprezo às classes desfavorecidas pela sorte financeira. Numa noite ao deixar o trabalho numa transversal próximo a sua residência se ver surpreendido por dois desconhecidos.

Desprovido da razão vagueia pelas ruas. Suas feições já em nada se assemelham a do grande executivo, suas roupas sujas e rotas são as que lhe foram ofertada em um albergue. Débil, esquálido e pútrido tal qual nas suas primeiras horas de vida, atrai, para si somente uma enorme nuvem de moscas que o seguem e os olhares de uma velha cadela que como ele vaga pela rua.

Sem ser reconhecido é encontrado despojado numa das muitas sarjetas da grande cidade, a nuvem de insetos se amoldou totalmente sob o cadáver em decomposição. No entanto resguardado pela velha cadela cambaleante, em razão do esforço repetitivo de afugentar os insetos que futricavam vorazmente os restos.

Levado o corpo desconhecido ao necrotério foi depositado sobre a pedra fria. À noite quando os servidores, responsáveis, pela limpeza noturna daquele recinto chegam para executarem suas atribuições, estranhamente a velha senhora da limpeza aproxima-se, da pedra, onde se encontrava Dinorato, maternalmente, no entanto, se o reconhecer acaricia-lhe o rosto Filho que triste sorte a sua.

Próximo ao portão do necrotério, onde o velho Cândido mendigava. Saruê uiva lastimosamente. Cândido sem compreender comove-se com a atitude de sua velha companheira que parecia chorar um ente muito querido.

Texto agregado el 31-05-2007, y leído por 183 visitantes. (1 voto)


Lectores Opinan
2007-06-02 10:24:53 Triste historia. Suena real. sereira
 
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