La Página de los Cuentos - www.loscuentos.net - nocheluz - 'Silêncio Perdido - portugués'
Silêncio Perdido - portugués
O povoado se chamava Gelo. Era pequeno e não tinha muitos habitantes. Os poucos civilizados só falavam o extremamente necessário -dez por cento do que costumamos falar- gesticulando mais e sussurrando de vez em quando um curto vocabulário.
As pessoas que falavam demais eram expulsas do povoado, porque o prefeito não tolerava muito ruído; a gente matava o precioso tempo com conversas e mexericos supérfluos. Os faladores eram os maiores inimigos do povoado, pois eram eles que cultivavam a desconfiança nas terras de Gelo e faziam com que este envelhecesse rapidamente.
Depois das seis horas da tarde, era proibido escutar rádio, ver televisão ou usar eletrodomésticos estridentes, de modo que o principal passatempo era a leitura-escritura e o sexo surdo-mudo.
Sair na rua à noite era proibido e perigoso, pois os passos poderiam emitir ecos profundos e inconvenientes, apunhalando os muros das casas, como se fossem facas aguçadas. Uma noite, quando este que lhes escreve, imaginava que todos já estivessem dormindo, o povoado desperta com um grito agudo: Socorro!
Gelo se derreteu nas chamas de um vulcão supostamente extinto e os habitantes não se atreveram a deixar seus bunkers com medo de violar a lei do silêncio e importunar os vizinhos.
Hoje o silêncio do povoado jaz em cinzas.
Texto de nocheluz agregado el 30-04-2008. La Página de los Cuentos - www.loscuentos.net
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