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Inicio / Cuenteros Locales / nocheluz / e enquanto isso...(portugués)

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As preces que sobem
pela escada do campanário
evaporam-se, a chuva cai
sobre um ninho de gárgulas sem asas
a esperança se afoga
no olhar do indigente
onde o céu costuma a sorver
gotinhas de solidão

E o silêncio das almas
perdidas
num beco de respostas
sem perguntas
vende-se fé e carícias a preço simbólico
um pastor e uma puta disputam a esquina.
Tem fome
o homem que caminha,
levando nas mãos seus olhos fechados,
não sabe de abismos na senda.
Guiada pelo som de trovões
uma tarde de verão se choca lentamente
contra o vazio de concreto.

Vida que de repente se revela
mediante a morte de cada dia
e a ressurreição de um pensamento que é
mais ou menos falésias
mais ou menos anos-luz
mais ou menos solidão de multidão.
A vida se rebela lentamente
contra o vazio de concreto.

E enquanto isso...

Idílicas palomas com seus idílicos parasitas
invadem livros de poesia
debaixo da discrição dos guarda-chuvas,
querem observar como fazem amor
uma jovem manca e um idoso impotente
e como viveram felizes para sempre.
Debaixo das luzes vermelhas da cidade
gemem os dedos manchados de nicotina
gemem os lábios de genebra e de carmesim
a cama mofada
os sonhos imolados
a solidão, uma vez mais,
geme o vibrador.

Às vezes a rotina cede seu lugar
a uma gravidez
a um beijo roubado
a um Picasso
a uma chuva de papel picado
a um anônimo, vendedor de flores
(às segundas, me amanhece e me ama
e vai embora antes do pequeno-almoço e da mentira)
a um corpo crucificado
às crianças abandonadas,
amarão e foram amadas?
onde estão os filhos do nosso pai,
os herdeiros do seu espírito sem ouro?
Não. Não há perguntas
no beco de respostas.

Deixe que as pombas observem
o teatro dos poetas em transe
com seus amores em migalhas,
até que o tocar dos sinos
as afugente.
Jamais fecham-se as cortinas.

Sinais de fumaça, o que tentam dizer?
uma boca que se move e se dissipa
a compreensão não é bem-vista
há séculos, só quer dizer:
"quero amar-te"
(gostava de aspirar cinzas de um amor bravio
e espirrar ânforas de Pandora).
A língua de Deus realiza a fagocitose
de um mundo estranho e a palavra se alimenta
da fé de um papel em branco
que voa sobre nossas cabeças
que voa sobre o campanário
e cai rendido aos pés do indigente.


Texto agregado el 21-10-2008, y leído por 254 visitantes. (36 votos)


Lectores Opinan
2008-12-07 01:22:44 Quiero la traduccion .Por favor como un regalo de navidad ***** shosha
2008-12-05 22:36:14 Todo lo que he podido comprender, resulta precioso, pero no me ha sido posible llegarte al fondo.Se conoce que mis días en Brasil no han sido suficientes para dominar un idioma...¿Por qué no nos haces el favor de verterlo al español, como hiciste con "Sombrero en flor". Yo te estaría la mar de agradecido. Las estrellas te las mereces y te las doy ahorita mismo. emiliosala manca
2008-12-02 23:48:45 ME PARECIÓ UNO DE LOS MEJORES POEMAS QUE HE LEÍDO EN MI VIDA!***** MujerDiosa
2008-11-28 19:10:07 :-) albaclara
2008-11-28 07:13:43 muy interesante con mucha metafora de las cuales me han gustado varias pero no e terminado de ilar todo tu texto saludos deja lo sigo tratando de amalgamar saludos GUERO
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